"Cultura de mediação na escola"

As habilidades sociais ou habilidades para a vida, segundo a denominação da Organização Mundial da Saúde, estão intimamente relacionadas com objectivos fundamentais das escolas como seja a formação para a democracia, a educação para a paz e direitos humanos, a prevenção da violência e a criação de climas constitucionais pacíficos e saudáveis que favoreçam uma boa convivência escolar.

Estas habilidades podem definir-se como o conjunto essencial de atitudes, relacionadas entre si, que se requerem para enfrentar de uma maneira positiva e eficaz as situações e desafios da vida quotidiana, e estão implicadas em todas as abordagens que desde a escola se podem realizar para alcançar os objectivos acima mencionados. Elas são:

•  O pensamento crítico e criativo;

•  A Comunicação eficaz;

•  A Habilidade para estabelecer e manter relações interpessoais

•  Capacidade para tomar decisões

•  Conhecimento de si mesmo

•  Utilização adequada das emoções e das tensões

•  Capacidade de empatia

•  Capacidade para a resolução de problemas

 

Esta última habilidade, a capacidade para a resolução de problemas, é a que se aborda de uma forma central nos projectos de mediação escolar. O propósito destes é de promover a aprendizagem e o desenvolvimento das habilidades sociais nos diferentes actores institucionais, já que um dos requisitos para o êxito destes projectos é a consistência encontrada entre aquilo que se diz e aquilo que se faz. Neste sentido sustentamos que educar para a democracia, paz e direitos humanos não são só objectivos fundamentais para a escola mas também um meio, um caminho e um marco que deve orientar as nossas acções.

Na comunidade educativa podem surgir dois grandes grupos de conflitos:

•  Os que se dão entre alunos

•  Os que envolvem indivíduos de diferentes grupos da comunidade (docentes, pais, directores, funcionários).

 

Com esta proposta de Projecto ( Para uma Cultura de Mediação na Escola ) procura-se desenhar e implementar um modelo de mediação inter-pares cujos destinatários finais são os alunos. No entanto, para que seja viável dentro da entidade educativa é necessário que todos os actores conheçam, compreendam e se comprometam com os princípios que sustentam a resolução de problemas através da mediação.

A mediação pode considerar-se como uma extensão do processo negocial, a que pode recorrer-se quando as partes não puderam tratar o conflito directamente entre elas.

A mediação implica a intervenção de um terceiro neutral, aceite pelas partes, sem poder de decisão sobre o acordo a que eventualmente possam chegar e cuja função primordial é ajudá-las, mediante a condução de um processo que é essencialmente comunicacional, a explorar os diversos elementos do conflito de modo a que possam encontrar opções de solução satisfatórias e acordar sobre formas e mecanismos de o implementar.