"Para uma Cultura de Mediação na Escola" por Cláudia Duarte - Advogada
Nos últimos anos tem sido ressaltada uma concepção de educação que se baseia em torno de quatro pilares fundamentais: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver.
A convivência, portanto, tem sido apontada como um dos aspectos fundamentais da tarefa educativa, pelo que é indispensável que as instituições educativas utilizem os conflitos e as diferenças interculturais como ferramentas educacionais.
O conflito é inerente à interacção humana, visto que a diferença de opiniões, desejos e interesses se torna inevitável entre as pessoas.
Não significa, no entanto, que a sua consequência natural seja a violência, a destruição ou mesmo a deterioração das relações, pois pode converter-se, também, num elemento positivo que permita a evolução e a transformação das relações entre as partes, com vista a uma maior aproximação, compreensão, respeito e mesmo colaboração.
O objectivo não é, portanto, a eliminação do conflito, mas aprender a resolvê-lo de uma maneira construtiva, dialogante e não violenta, de modo a que os conflitos deixem de ser um factor negativo, destrutivo e convertam-se numa oportunidade para aprendermos mais acerca de nós próprios e acerca dos outros.
Contudo, a capacidade de transformar um conflito num elemento enriquecedor para as partes, requer a utilização de certas competências e procedimentos, entre os quais a mediação.
Neste contexto aparece a Mediação Escolar enquanto ferramenta catalisadora dos processos de participação e gestão democrática, bem como uma importante metodologia para a formação pessoal e social de valores tão importantes como a tolerância, o diálogo, a concepção do outro e a compreensão e respeito pela diferença.
A Mediação é sem sombra de dúvidas uma técnica imprescindível para fomentar a convivência democrática e, no futuro, tenderá a ocupar um lugar relevante no sistema educativo.
O projecto-piloto “ Programa para uma Cultura de Mediação na Escola ” desenvolvido pela CONSENSUS é uma proposta para a construção de uma cultura de paz no ambiente escolar com o intuito de reverter o crescente quadro de violência e intolerância existente nas Escolas.
De acordo com os princípios básicos da Mediação, os conflitos podem ser resolvidos através do diálogo, evitando-se deste modo as soluções baseadas na agressão física, verbal ou psicológica.
A Mediação é um processo não adversarial, confidencial e voluntário, no qual um terceiro neutro e imparcial facilita a negociação entre duas ou mais partes com vista a obtenção de um acordo mutuamente aceitável.
O mediador, através da utilização de técnicas específicas, irá restabelecer a comunicação entre os envolvidos, com o objectivo de ampliar as alternativas para a resolução dos impasses, de modo a reduzir o conflito a níveis administráveis, criando condições favoráveis para que cheguem a um consenso.
O mediador não tem um papel interventivo na tomada de decisão, cabendo as partes envolvidas criar e escolher a solução mais adequada, o que propicia a transformação das relações em vínculos de solidariedade.
O Programa visa estimular uma atmosfera pacífica dentro das escolas, fomentando a criação do hábito de diálogo e resolução de conflitos por meio de soluções apresentadas pelos próprios envolvidos e, portanto, principais interessados na sua resolução.
Ao serem transmitidas aos jovens as habilidades necessárias para negociar de forma cooperativa os conflitos inevitáveis que ocorrerão nos diversos contextos de suas vidas, propicia-se uma mudança de paradigma face, quer aos conflitos, quer a sua resolução.
A implementação de um Programa de prevenção/gestão/resolução de Conflitos pretende criar situações em que os estudantes possam aprender, desenvolver e utilizar na sua vida cotidiana as seguintes habilidades sociais:
1- Comunicação eficaz.
2- Habilidade para estabelecer e manter relações interpessoais.
3- Capacidade para tomar decisões.
4- Auto-conhecimento.
5- Manejo adequado das emoções e da tensão.
6- Empatia.
7- Capacidade para a resolução de conflitos.
A ideia principal é estabelecer nas escolas, cenário dos mais diversos tipos de conflitos, um canal de diálogo, em que o outro seja visto como colega na construção de um mundo melhor, e não como um adversário.
Será o jovem que está vivenciando a situação de conflito que irá chegar, juntamente com os demais envolvidos, a uma solução para o problema, pelo que a capacitação em mediação pretende fornecer aos jovens mediadores ferramentas que os auxiliem na busca por uma solução particular para cada conflito.
O objetivo é introduzir no ambiente escolar a idéia de alternativas não violentas de resolução de conflitos. Assim, a sensibilização não deve dirigir-se apenas aos alunos. Todos os integrantes da escola: dirigentes, pessoal de apoio técnico e administrativo, professores, pais de alunos, sem esquecer da comunidade na qual está inserida a escola, em outras palavras, todos devem ser incluídos neste processo.
